Sonhos Perdidos
Não, este não é um texto sobre desejos que nunca se realizarão.
Ontem deu-me para fazer limpeza, acabei há minutos. Hoje deveria ter passado o dia a escrever, pelo menos de acordo com o horário que fiz para me orientar, mas como há sempre algo que interfere sempre que me tento organizar (normalmente o meu humor), deixei passar o dia da limpeza. Eu podia simplesmente ter esperado uma semana para que o ciclo se repetisse, mas há um limite de quantos centímetros de pó sou capaz de tolerar à minha volta, pelo que decidi tratar do assunto.
Durante este processo, que se prolongou mais do que era suposto devido às intermináveis distracções, fui dar com um pequeno caderno onde o meu eu mais novo decidiu escrever qualquer coisa para a posterioridade. Demorei um bocado a perceber o que é que aquele texto de facto era. Cães azuis, situações estranhas, poderes especiais... Decidi confirmar as minhas suspeitas e saltar para a última página, onde encontrei as palavras que estava à procura: "e de repente acordei."
Não sei que idade tinha quando escrevi aquilo, mas a verdade é que fui dar de caras com esta memória, que eu nem sabia que existia, todo este tempo depois. Foi uma oportunidade única de olhar para como a minha mente funcionava naquela altura e foi o suficiente para me fazer mudar completamente o tópico que tinha planeado para falar hoje.
Depois de investigar um bocadinho vi que este tipo de registos, os chamados "diários de sonhos", são na verdade muito mais comuns e usados como ferramentas para os mais diversos fins. Vou ser bastante directo: recomendo a toda a gente que escreva o seu próprio diário de sonhos. Foi algo que, pelo que parece, me lembrei de fazer espontaneamente e depois não voltei a pegar na ideia. Tenho noção de ter escrito algures outros sonhos que considerei particularmente interessantes, mas o facto de ter encontrado um caderno cujo único objectivo era registar sonhos pôs-me as coisas em perspectiva.
Como se não bastasse, algumas horas depois o meu melhor amigo contou-me o sonho super interessante que teve e eu não pensava noutra coisa senão no quão interessante o conceito daquele sonho seria para uma história ou até um filme.
Enquanto sonhamos, o nosso cérebro cria todo o tipo de cenários, realistas e surreais, coerentes e caóticos, maravilhosos e horrorosos. Durante o tempo em que estamos deitados "sem fazer nada", o nosso subconsciente naturalmente inventa, reconstrói e cria narrativas super interessantes e que vão muito além do que o nosso consciente nos permitiria criar. Os sonhos podem mostrar-nos imagens inspiradoras que nunca vimos (como um certo local que mais tarde tornei parte de uma história) ou até ensinar-nos certas coisas. Nunca vou esquecer a noite em que sonhei que já sabia andar de bicicleta sem rodinhas e quando no dia seguinte decidi experimentar... conseguia mesmo!
Ainda assim, todos os dias uma quantidade obscena de sonhos são perdidos para sempre. Tirando certos sonhos mais intensos que nos ficam logo cravados na memória, a grande maioria dos sonhos são interessantes, mas depois acordamos, seguimos a rotina da manhã e... quando damos por nós já nos esquecemos completamente do que sonhámos. Meros minutos depois de acordarmos, até o sonho mais fascinante é atirado para a central de reciclagem mental e destruído permanentemente.
Sempre me interessei por sonhos, mas perceber o potencial criativo que eles podem trazer, quer seja pela inspiração, ou pelo conceito, ou por qualquer outro motivo, faz-me lamentar genuinamente todos os sonhos perdidos. Sim, eu sei que é impossível recuperar todos os sonhos de toda a gente no mundo, além de que a maior parte é simplesmente lixo que o cérebro tenta processar de alguma forma e acaba por se manifestar como um sonho desinteressante, mas algures no meio de todo esse lixo pode haver uma ideia com bastante potencial para ser desenvolvida num projecto criativo, nos mais variados meios.
O meu conselho então é este: escrevam o vosso próprio diário de sonhos. Pode não ser todos os dias, podem não ser todos os sonhos (em especial aqueles em que nada de interessante acontece), mas escrevam sempre que acharem algo minimamente relevante. Escrevam assim que acordam, para não perderem os detalhes. Nem que seja contar o sonho a um amigo próximo por mensagem. É um registo do qual pode vir a resultar uma história fantástica, ou uma cena de outra história, ou uma cena de um filme.
Ontem deu-me para fazer limpeza, acabei há minutos. Hoje deveria ter passado o dia a escrever, pelo menos de acordo com o horário que fiz para me orientar, mas como há sempre algo que interfere sempre que me tento organizar (normalmente o meu humor), deixei passar o dia da limpeza. Eu podia simplesmente ter esperado uma semana para que o ciclo se repetisse, mas há um limite de quantos centímetros de pó sou capaz de tolerar à minha volta, pelo que decidi tratar do assunto.
Durante este processo, que se prolongou mais do que era suposto devido às intermináveis distracções, fui dar com um pequeno caderno onde o meu eu mais novo decidiu escrever qualquer coisa para a posterioridade. Demorei um bocado a perceber o que é que aquele texto de facto era. Cães azuis, situações estranhas, poderes especiais... Decidi confirmar as minhas suspeitas e saltar para a última página, onde encontrei as palavras que estava à procura: "e de repente acordei."
Não sei que idade tinha quando escrevi aquilo, mas a verdade é que fui dar de caras com esta memória, que eu nem sabia que existia, todo este tempo depois. Foi uma oportunidade única de olhar para como a minha mente funcionava naquela altura e foi o suficiente para me fazer mudar completamente o tópico que tinha planeado para falar hoje.
Depois de investigar um bocadinho vi que este tipo de registos, os chamados "diários de sonhos", são na verdade muito mais comuns e usados como ferramentas para os mais diversos fins. Vou ser bastante directo: recomendo a toda a gente que escreva o seu próprio diário de sonhos. Foi algo que, pelo que parece, me lembrei de fazer espontaneamente e depois não voltei a pegar na ideia. Tenho noção de ter escrito algures outros sonhos que considerei particularmente interessantes, mas o facto de ter encontrado um caderno cujo único objectivo era registar sonhos pôs-me as coisas em perspectiva.
Como se não bastasse, algumas horas depois o meu melhor amigo contou-me o sonho super interessante que teve e eu não pensava noutra coisa senão no quão interessante o conceito daquele sonho seria para uma história ou até um filme.
Enquanto sonhamos, o nosso cérebro cria todo o tipo de cenários, realistas e surreais, coerentes e caóticos, maravilhosos e horrorosos. Durante o tempo em que estamos deitados "sem fazer nada", o nosso subconsciente naturalmente inventa, reconstrói e cria narrativas super interessantes e que vão muito além do que o nosso consciente nos permitiria criar. Os sonhos podem mostrar-nos imagens inspiradoras que nunca vimos (como um certo local que mais tarde tornei parte de uma história) ou até ensinar-nos certas coisas. Nunca vou esquecer a noite em que sonhei que já sabia andar de bicicleta sem rodinhas e quando no dia seguinte decidi experimentar... conseguia mesmo!
Ainda assim, todos os dias uma quantidade obscena de sonhos são perdidos para sempre. Tirando certos sonhos mais intensos que nos ficam logo cravados na memória, a grande maioria dos sonhos são interessantes, mas depois acordamos, seguimos a rotina da manhã e... quando damos por nós já nos esquecemos completamente do que sonhámos. Meros minutos depois de acordarmos, até o sonho mais fascinante é atirado para a central de reciclagem mental e destruído permanentemente.
Sempre me interessei por sonhos, mas perceber o potencial criativo que eles podem trazer, quer seja pela inspiração, ou pelo conceito, ou por qualquer outro motivo, faz-me lamentar genuinamente todos os sonhos perdidos. Sim, eu sei que é impossível recuperar todos os sonhos de toda a gente no mundo, além de que a maior parte é simplesmente lixo que o cérebro tenta processar de alguma forma e acaba por se manifestar como um sonho desinteressante, mas algures no meio de todo esse lixo pode haver uma ideia com bastante potencial para ser desenvolvida num projecto criativo, nos mais variados meios.
O meu conselho então é este: escrevam o vosso próprio diário de sonhos. Pode não ser todos os dias, podem não ser todos os sonhos (em especial aqueles em que nada de interessante acontece), mas escrevam sempre que acharem algo minimamente relevante. Escrevam assim que acordam, para não perderem os detalhes. Nem que seja contar o sonho a um amigo próximo por mensagem. É um registo do qual pode vir a resultar uma história fantástica, ou uma cena de outra história, ou uma cena de um filme.
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