Carta Aberta aos Meus Amigos


Queridos amigos,

Sim, apetece-me ser um bocado lamechas hoje. Às vezes, penso que não o sou vezes suficientes. Tenho uma coisa muito simples para vos dizer, que sinto que devia dizer, mas que por um motivo ou outro não digo quando devo.

Este ano, pelo meu aniversário, recebi presentes que me deixaram impressionado. Não, não era aquele jogo que eu mais queria, nem um saco gigante de guloseimas (se bem que os brigadeiros azuis estavam deliciosos). Foram duas mensagens em particular, de duas pessoas que são muito importantes para mim. Uma dizia que apesar de já não falarmos muitas vezes, considerava-me um amigo especial e único. A outra dizia que eu era das poucas pessoas que ela queria manter na sua vida. Talvez no momento não tenha dado a entender, mas essas mensagens tocaram-me num ponto particularmente fraco.

Penso que certas experiências me condicionaram a não me sentir importante em relacionamentos com os outros. Sempre mantive um leque limitado de amigos, e ainda mais limitado de pessoas que considero mais que amigos. Quando olhava para esses amigos, não me sentia particularmente especial. Só mais um nome numa vasta lista, que talvez passasse despercebido se um dia desaparecesse dela.

Aquelas mensagens fizeram-me reflectir. Não que fosse uma descoberta inesperada, mas antes um momento de conscientização. Afinal, não era só um nome numa lista. Afinal, só não tinha caído em mim o impacto que tinha deixado nas vidas dessas pessoas. E perceber isso por fim fez-me tão, mas tão feliz. Por um momento, olhei à minha volta. Estava rodeado de amigos, que ali estavam para celebrar comigo. E não era a primeira vez, nem certamente seria a última.

Preciso de dizer isto! E preciso de lhes mostrar o quão importantes eles também são para mim! E se um deles não tiver consciência disso, tal como eu não tinha? E se o mundo acabasse amanhã, seria justo deixá-lo sem esclarecer algo tão simples?

Por isso, meus amigos, eu adoro-vos. Genuinamente, com todo o meu coração. Todos vocês, mesmo aqueles que já não vejo ou falo há anos. Estejam perto ou estejam longe, as memórias das nossas conversas, dos nossos sorrisos e das nossas aventuras permanecerão comigo para sempre.

Colegas, companheiros, família, até mesmo professores. Não preciso de dizer quem são. Se acharem que poderão ser meus amigos, é porque são. Os nossos caminhos podem ter-se cruzado por acaso, mas foi decisão minha manter-vos comigo.

Desculpem se podia ter feito mais, ou se o meu egocentrismo às vezes me impede de vos devolver o carinho e a atenção que me dão. Só vos peço que nunca, mas nunca, duvidem do quão importantes são para mim.

O Leão da Montanha

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